

Xinguara (PA) – O que era para ser um espaço de paz e memória tem se tornado um cenário de indignação e dor para muitas famílias em Xinguara. Na madrugada deste Domingo 29, vários túmulos do Cemitério Municipal foram alvos de vandalismo e furto, entre eles o do saudoso Widson Carioca, ex-locutor da Rádio Xinguara AM 660 e figura muito querida pela população.
A denúncia foi feita pela Dona Valda, esposa de Widson, junto com a filha, que ficou consternada com a cena de destruição: fechaduras arrombadas, vidros quebrados, letras arrancadas do nome gravado no túmulo e até bíblias deixadas como homenagem foram levadas.
A família foi avisada por uma funcionária da limpeza que cuida do jazigo, que enviou fotos e vídeos da situação. Ao chegarem ao local, encontraram um cenário de total descaso. Diz filha, emocionada
“A gente já sofre com a perda. Mas chegar aqui e ver tudo quebrado, violado... dói mais ainda. Meu pai foi uma pessoa querida, respeitada, fez história na comunicação de Xinguara. E nem no descanso dele deixam em paz”, desabafou.
Fala de Dona Valda
A própria Dona Valda também falou com a reportagem e lamentou o ocorrido e de acordo com ela, outros túmulos também foram atacados, inclusive de pessoas conhecidas e queridas na cidade.
“É muito dolorido isso. Roubaram a bíblia do meu marido, da minha filha. Tiraram as letras com o nome dele… Foi um desrespeito com a memória de quem já se foi. A gente só quer que as autoridades façam algo. Coloquem guarda, câmera, alguma proteção. Isso está virando rotina.”
Famílias pedem providências do poder público
A cobrança da família é clara: mais segurança, vigilância noturna e instalação de câmeras no cemitério. Há anos a comunidade sofre com furtos de metais e objetos simbólicos das sepulturas.
“Dizem que tem guarda, mas ninguém viu. Não dá para aceitar isso. E ainda querem que a gente, como família, coloque câmera em poste público? Isso é responsabilidade da prefeitura”, reforçou a filha de Dona Valda.
Um nome que deixou saudade
Widson Carioca foi uma das vozes mais lembradas do rádio local. Por muitos anos, esteve à frente dos microfones da Rádio Xinguara AM 660, levando informação e companhia aos ouvintes. Sua partida deixou saudade, e agora, com seu túmulo violado, a ferida se reabre com dor e revolta.
A comunidade espera que esse novo episódio traga atenção das autoridades para proteger a memória dos que já partiram — e a dor dos que ficam.